domingo, 16 de dezembro de 2012

16/12/12 - O desafio da Cordilheira!

Purmamarca - San Pedro de Atacama: 412 km (Acumulado: 3.135 km)

Saímos de Purmamarca logo cedo pois sabíamos que o caminho era longo, com muitas fotos, possibilidade das "meninas" sofrerem com a altitude, tentar não passar pela parte mais alta da Cordilheira no fim da tarde (quando os ventos são muito fortes) e duas aduanas. O café da manhã do hotel foi simples, como nos outros da Argentina: pão, leite, café, manteiga e geléia.
E vamos encarar a Ruta 52, considerada uma das mais lindas do mundo, por causa da sua paisagem e curvas. A estrada corta o Cerro de los Siete Colores, e nos primeiros quilômetros já tivemos que parar para as fotos, há de tudo, desde partes de uma cor só até tudo misturado em uma mesma montanha, mas só consegui diferenciar umas quatro cores; na verdade é uma mistura por alguns quilômetros. Essa região era mar há milhões de anos e as cores foram surgindo durante a formação da cordilheira. Fantástico.








O caminho é 100% subindo, isso já fez o Caio ligar a Gopro para fazer os filmes das motos fazendo as curvas.

Encontramos um caminhão tanque da YPF subindo a uns 5 km/h, cumprimentamos e... toma subida e curva; em alguns caracoles a gente parava para tirar fotos da estrada circundando as montanhas e o caminhão passava a gente, aí combinávamos: vamos parar de tirar foto um pouco e vamos andar para não termos problemas; mas já já lá tava um de nós encostando para tirar outra foto; no fim, acabamos pilotando sem luvas e tirando fotos com as motos andando mesmo (com toda consciência de só fazer isso quando estávamos sozinhos em percursos retos, é claro).







E sobe, só sobe. Chegamos em um ponto em que se olhava para baixo e via-se tudo o que subimos, e se olhava para cima e ainda tinha montanha para vencer, as motos andando bem. E é incrivelmente bom o cheiro que tem a cordilheira, um odor adocicado de flores muito forte, que a gente sentiu até pilotando.




A 4.100 m de altitude avistamos as primeiras montanhas com neve (já adianto que só vimos neve há quilômetros, nessa época do ano já degelou tudo) e um bando de guanacos (são menores que as lhamas, assim nos disse um argentino).





Bem no alto as cordilheiras tem longos percursos planos e outros de subida (nunca de descida), fomos assim até o as Salinas Grandes, onde tiramos umas fotos, claro! Pelo que percebemos há extração de sal. Deu vontade de colocar as motos naquele lugar e dar uma volta.






Depois das salinas o Caio tomou à frente e sumiu, nem tinha como ser diferente, pois de repente tudo virou um retão. Perto de umas construções, pé no freio, eu vinha atrás e diminuí, mas não podia perder a imagem: lhamas cruzando a estrada, filmei e fotografei.

Se alguém tiver conhecimento desses bichos e falar que não é lhama, me perdoem, não aprendi a diferenciar, no genérico, vai tudo como lhama.
Segue em frente, para Susques, abastecer e comer alguma coisa. Susques é bem pequena, paramos lá só para ver o posto de nafta fantasma e seguimos para o restaurante/hotel/posto Pastos Chicos, não tivemos vontade de entrar na cidade, olhamos do alto.





No Pastos Chicos comemos empanadas com gasosas, abateci por excesso de zelo 50 pesos com uma nafta de 9 pesos, pois em Paso Jama há posto YPF. Em Susques ninguém recomenda sequer procurar hotel (nem sei se tem), mas no Pastos Chicos dizem que é bom, mas não fommos conferir as habitaciones.
Por incrível que pareça, a 4.000 m, no meio da Cordilheira, sem nada a volta, pega celular e Wi-Fi. Já; sei que o Corinthians é; campeão!!!!!!!


Na estrada, a única neve que vimos foi há muitos quilômetros (impossível de calcular) no topo de alguns vulcões.


 Chegamos ao Paso Jama, pára nas placas para as fotos, cola adesivo (do lado do Paulo) e vai para a aduana, quando chegamos havia 3 ônibus com umas 50 pessoas cada, todo mundo na fila com malas na mão, pensamos: f%$@&! Entrei no prédio para perguntar se precisava desmontar toda a bagagem das motos, graças à Deus que não, mesmo assim ficamos 45 minutos na fila para sermos liberados. 




Segue para o Chile! Agora a estrada era um sobe e desce danado, mas as motos iam bem, de vez em quando dávamos umas arrancadas para ver se os motores estavam sentindo a altitude, fomos até 130km/h (as patroas proibiram a gente de andar mais que isso, estamos obedecendo...rsrsrsrs), e as meninas foram bem. Quando a estrada começou a ter só descida já eram umas 16:00 h, isso significava problemas, já estávamos fugindo da recomendação da galera de não descer a cordilheira no fim da tarde (ventos fortes e frio), mas não tinha mais volta, desce o morro!











Em um trecho pegamos vento de frente, com esta força contra a BM e a 66 mostraram que tava faltando oxigênio, com o cabo enrolado a velocidade não passava de 80km/h. O frio foi aumentando, mas como a paisagem era maravilhosa a gente seguia sem luvas (para poder tirar fotos) e sem balaclava. Um tempo depois o frio começou a doer na gente e.... para tudo! Abre baú, pega luva fina, luva de pilotagem, balaclava, se veste e segue, segue rápido porque o vento forte aumentava o frio e queria balançar as motocas. O frio entrando pelo capacete é um negócio muito chato, colocando a balaclava o conforto é outro.

No desespero de andar mais acelerei e o Caio ficou um pouco para trás (é normal a gente ir alternando de poisção durante a viagem e até se afastar um pouco um do outro), por causa das curvas tinha hora que eu perdia ele no retrovisor, mas de repente o cara sumiu mesmo. Pensei: deve ter visto algo interessante e parou para tirar foto, parei a moto e fiquei esperando uns 10 minutos, nada do Caio, desci da moto e nessa hora senti os efeitos da falta de oxigênio na gente, o pequeno esforço de sair da moto e andar poucos metros já deu falta de ar (a gente puxa, o pulmão enche, mas parece que faltou lgo), mas era só um desconforto; depois de esperar fiquei peocupado e voltei... de longe vi um cara, com uma BM detravessada no acostamento, a roda de trás socada nas pedras e a da frente quase no asfalto, como deu para ver que ele tava rindo dentro do capacete, fiquei tranquilo. 


O que tinha acontecido? Ele viu uma estrada ao lado do asfalto e resolveu fazer um passeio mais radical, só que o piso de pedras é muito afofado, quando tentou voltar para a estrada a moto atolou. Parei agarramos os dois na moto, engatamos primeira, empurramos, levantamos, puxamos e aceleramos até a danada sair, isso tudo sem oxigênio! Respira, respira e... respira, respira e pronto, continua descendo o morro. 
Toda essa aventura sob a observação do vulcão Lincacabur, sempre ao nosso lado direito, já quase na divisa com a Bolívia; ele tem 5.916 m de altitute, em San Pedro do Atacama há expedições para sua escalada, do outro lado, na Bolívia, fica a Laguna Verde. No topo do vulcão, durante o verão, se forma um dos lagos mais altos do mundo, dizem que o neto de Jacques Costeau bateu o recorde de mergulho mais alto no mundo lá. É um local de muitas histórias, os índios atacamenos e os incas faziam muitos rituais com oferendas diversas. Em 1995 arqueólogos afirmam ter encontrado no lago uma esfera de cristal que, quando exposta ao sol, se aqueceu tanto que quem segurava a deixou cair novamente nas águas e de onde nunca mais foi encontrada. Em 2000, em uma expedição turística, um integrande viu a esfera novamente sob á água do lago, foi uma festa, mas curiosamente quando se tentava fotografá-la as baterias das câmeras se extinguiam. A esfera foi levada para San Pedro do Atcama e curiosamente, poucos dias depois, pesquisadores da NASA apareceram, e houve o primeiro relato do chupacabras em Calama. Agora a parte maluca: dizem que esta esfera é originária do Brasil! Uma bruxa branca que vivia em San Pedro de Atacama disse que comprou um cristal no Brasil e foi para a Suíça para polir e fazer a esfera, de volta a SPA subiu o vulcão e fez uma oferenda nos moldes dos rituais incas e ofereceu a peça ao vulcão; porém esta mulher tinha 60 anos de idade, díficil escalar um vulcão? E onde se encontra a esfera uma hora dessas? Ninguém sabe.


A foto abaixo é só ilustrativa, é como fica o vulcão no inverno, totalmente diferente do que vimos.



Em um determinado ponto da estrada a descida vira uma ladeira, tem até umas faixas grossas de brita no acostamento em alguns trechos, para os caminhões se jogarem quando perdem o freio. 



Do lado esquerdo da estrada há um ponto cercado com avisos de não ultrapassar, são áreas minadas, herança de uma época de conflitos armados na região. Em alguns pontos para dentro do deserto e salares há outros locais desses, as minas ainda são ativas.
Descida muito rápida as tranquila, o frio foi embora e começou um calor de 30 graus. Dentro da cidade tem que fazer aduana, e adivinha quem já tava lá? O primeiro ônibus que saiu na frente do Paso Jama. Pega uma fila de um atendente mala, pega outra de um cara mal humorado e ainda tem que abrir baú e alforge para o fiscal do Senasa ver se agente não tava trazendo plantas ou carnes, o cara é nascido no Brasil, pai gaúcho, conversou bastante, mas não deu muita moleza. Liberados, fomos procurar hotel, a cidade estava uma muvuca, ou todo mundo era Corinthiano e tava na rua comemorando, ou era só o povo curtindo o domingo na rua mesmo (acho que a segunda opção é a mais real). Demos umas 5 voltas na cidade procurando hotel e aprendendo a calcular o câmbio real/peso chileno (1 real vale uns 210 pesos), por fim ficamos no hostel La Casa de Mireya (Domingo Altienza, 404 A), por 38.000 pesos, com 2 camas confortáveis, ótimo banheiro, wi-fi (no quarto pega mal, tem que ficar na varanda), sem TV, mas pertinho da Caracoles (principal calle da cidade).






Desmontamos as motocas, tomamos banho, conversamos com as patroas no Skype e fomos jantar no La Estaka, muito bom. Na cidade tem um banco com caixa eletrônico, com cartão do Banco do Brasil saquei pesos, foi a nossa salvação para ter dinheiro no bolso e pagar onde não aceitasse cartão, santo BB! Com cartão do Itaú do Caio não deu certo sacar, então usamos ele para onde aceitasse, assim fomos dividindo as despesas. A maioria os resturantes e agências de turismo aceita Visa, mas o hotel, entradas dos passeios e pequenas lojas não. Amanhã vamos rodar a cidade em busca de uma agência para fazer os passeios. Cordilhheira cheirosa, quente, linda, fria e quente novamente, vencida; vamos dormir.


Dica: saia sempre muito cedo para atravessar a cordilheira, para dar tempo de apreciar e chegar no fim sem ser muito à tarde, no fim do dia sempre venta muito e esfria.

Atualização, 21/09/2013: de acordo com informações de amigos que foram para o Atacama em setembro/2013, a aduana de SPA se juntou com a da Argentina no Paso de Jama, ou seja, agora faz tudo no Paso Jama.


ANEXOS:







Um comentário:

Marcos B Teixeira Mendes disse...

Viagem Fantástica!!! História para contar pros netos e netas.
Caio... da próxima vez, tenta de snowmobile...kkkkkkk
Abraços pra vcs e curtam bastante!