Antofagasta - Chuquicamata - San Pedro de Atacama: 350 km (Total: 4.802 km )
Deixamos Antofagasta com rumo a Calama, pela Ruta 5 (Panamericana Norte), para tentar conhecer a maior mina de cobre do mundo, e a cidade fantasma de Chuquicamata. Logo após sairmos de Antofagasta tiramos fotos de umas escavadeiras da década de 60, relíquias expostas na entrada da Mina Mantos Blancos e seguimos viagem.
Logo à frente vimos uma montanha, na beira da estrada, com um desenho gigante na areia parecidos com aqueles do Perú (já tinha tirado uma foto rápida, andando, ontem), mas dá para perceber que é uma imitação moderna, valeu uma foto.
Dica para quem vier pilotar aqui: o sinal de seta que os caminhoneiros dão para ultrapassá-los, aqui é ao contrario! Outra coisa: as estradas chilenas são de ótima qualidade, mesmo com o tráfego intenso de cargas, mas não tem muito acostamento, então os caminhões de ácido sulfúrico saem direto da rodovia para entrar nas estradas de terra ou das indústrias, imagina um acidente com um caminhão desses.
Outra coisa sobre as estradas, elas são verdadeiras papa-pneus, meu Metzeler traseiro acho que vai acabar até o fim da viagem.
Mais a frente há as ruínas do povo Pampa Union, que era uma cidade que teve seu auge na época de exploração nas minas de salitre, que funcionaram de 1903 a 1915. Nasceu da necessidade de criar um ponto estratégico que atendesse às necessidades dos trabalhadores das oficinas salitreiras, principalmente no que se referia a saúde e acidentes de trabalho, assim primeiro foi construído um sanatório hospital ao lado da estação ferroviária Union que existiu ali. Ao redor deste hospital proliferou estabelecimentos de comércio e serviços. Foi o único ponto de apoio para 80.000 pessoas num raio de 200km e em 1930 começou a falir, sendo que em 1945 foi abandonada definitivamente.
Mais à frente fica o cemitério desta cidade, com túmulos de madeira conservada pela secura do deserto, o que mais nos chamou a atenção foi o da Rebequita, que era pintado de cor de rosa e estava aberto com um pequeno caixão de bebê a mostra, lógico que não tinha nada ali, pois o túmulo tem uns 100 anos.
Segue viagem para a mina de Chuquicamata, a maior mina de cobre do mundo, chegamos lá seguindo as placas, a cidade de mesmo nome é pequenina mas totalmente abandonada, algumas casas servem de escritórios da mineradora, foi habitada de 1915 a 2007. Dizem que, como a mina foi crescendo e avançando sobre a cidade, mudaram a população para Calama, o ambiente é igual aquele que vemos na TV em cidades abandonadas por desastres nucleares.
As montanhas que aparecem de fundo nas fotos é a mina, avançando sobre a cidade, é tão grande quanto as montanhas da cordilheira, sem exageros!
A guarda que nos atendeu na entrada da cidade foi super educada, mas vimos que antes de nos atender ligou para alguém relatando a situação de nossa presença. O ruim foi que ela nos informou que a visita à mina só pode ser feita por agências de turismo, e de segunda a sexta (hoje é sábado), nos restou tirar fotos da mina a partir de um mirante da rodovia e de algumas portarias, se fizer bastante esforço vai dar para ver uns pontinhos nas montanhas de terra removida, que são os caminhões gigantes. É impressionante o tamanho das montanhas de terra removida, a mina gigante, por exemplo, tem 1,25km de profundidade e 4,3 km de comprimento (área de 800ha). Esta mina representa 1/3 do comércio nacional do Chile; boa parte dos fios de cobre da sua casa foram feitos com produtos daqui. O cobre é explorado pelos antigos indígenas desde a colonização Inca.
Outra coisa interesante que vimos, os chilenos só tem carro novo e bom, não há (muitos) carros velhos aqui, e há de todas as marcas e todos os modelos do mundo, agora a parte mais legal: os carros usados deles (mas ainda muito novos) vão tudo para nostros hermanos paraguayos, de Antofagasta até SPA ultrapassamos mais de 10 carretas cegonha, espertos esses chilenos.
E olha o esforço para caber mais um carro: levantaram o prata pelas rodas com uma catraca e espremeram o vermelho por baixo.
Fim da parte cultural, acelera, vamos dormir de novo em SPA. Num posto antes de Calama conhecemos um casal brasileiro viajando numa Hayabusa, eles passaram pela cordilheira à tarde também, só que pegaram una nevasca, disseram que se protegeram atrás da moto e deixaram o motor ligado para se esquentar segurando no escapamento.
Em Calama dois brasileiros de São Carlos, Cristiano e Hamilton numa Bandit 650, pararam para conversar, eles vinham do Perú e iam para SPA, seguimos viagem com eles então.
Antes de SPA paramos no mirante que vimos turistas tirando fotos no dia anterior, lugar bonito, tipo Vale da Lua e da Morte, mais fotos.
Nossos amigos de São Carlos nos acompanharam até nosso hostel, eles foram para outro, não os vimos mais. Boa viagem!
Fomos então almoçar, já eram 16:00 h, comemos lanche e depois, claro, um helado de Chañar.
À noite voltamos ao mesmo restaurante para comer pizza. Depois tomamos uma cerveja Escudo num bar de malucos que a gente observou a semana toda mas não tínhamos ido, muito bom, rock, camisas de futebol para todo lado e lógico, muita moçada. Depois: dormir para subir o morro amanhã.
Esposas me perdoem, mas tive que tirar a foto adiante, é impressionante o detalhe de um manequim feminino de uma loja de artesanias da cidade, ela é a mulher mais peituda de SPA, não tem turista que não observe. É Caio, acho que tá na hora da gente ir embora mesmo, a falta de oxigênio tá fazendo mal!
Aliás o ambiente de SPA vai cativando a gente, vamos nos adaptando e começando a se sentir bem lá, fizemos até piadinha de vender as motos, alugar uma porta de adobe e montar uma operadora de turismo, e depois convencer as esposas a mudar para lá, tudo piada, mas por via das dúvidas, melhor ir logo.
Mudando radicalmente de assunto: nas estradas argentinas (mais na cordilheira) e chilenas há muitas igrejinhas ou túmulos de homenagem às vítimas fatais de acidentes, há de todos os tipos, desde simples pedras empilhadas a construções grandes. É hábito do povo dar buzinadinhas de cumprimento para pedir proteção na estrada, sem saber disso buzinei para um monte, acho que deu certo, não vimos acidentes até hoje em nossa viagem.
Referências Google Maps:
- Chuquicamata:
https://maps.google.com.br/maps?q=Chuquicamata,+Calama,+Chile&hl=pt-BR&ll=-22.30752,-68.870716&spn=0.08973,0.154324&sll=-21.263658,-50.353066&sspn=0.723085,1.234589&oq=chuquicamata&t=h&hnear=Chuquicamata,+Calama,+El+Loa+Province,+Antofagasta+Region,+Chile&z=13
Deixamos Antofagasta com rumo a Calama, pela Ruta 5 (Panamericana Norte), para tentar conhecer a maior mina de cobre do mundo, e a cidade fantasma de Chuquicamata. Logo após sairmos de Antofagasta tiramos fotos de umas escavadeiras da década de 60, relíquias expostas na entrada da Mina Mantos Blancos e seguimos viagem.
Logo à frente vimos uma montanha, na beira da estrada, com um desenho gigante na areia parecidos com aqueles do Perú (já tinha tirado uma foto rápida, andando, ontem), mas dá para perceber que é uma imitação moderna, valeu uma foto.
Dica para quem vier pilotar aqui: o sinal de seta que os caminhoneiros dão para ultrapassá-los, aqui é ao contrario! Outra coisa: as estradas chilenas são de ótima qualidade, mesmo com o tráfego intenso de cargas, mas não tem muito acostamento, então os caminhões de ácido sulfúrico saem direto da rodovia para entrar nas estradas de terra ou das indústrias, imagina um acidente com um caminhão desses.
Outra coisa sobre as estradas, elas são verdadeiras papa-pneus, meu Metzeler traseiro acho que vai acabar até o fim da viagem.
Mais a frente há as ruínas do povo Pampa Union, que era uma cidade que teve seu auge na época de exploração nas minas de salitre, que funcionaram de 1903 a 1915. Nasceu da necessidade de criar um ponto estratégico que atendesse às necessidades dos trabalhadores das oficinas salitreiras, principalmente no que se referia a saúde e acidentes de trabalho, assim primeiro foi construído um sanatório hospital ao lado da estação ferroviária Union que existiu ali. Ao redor deste hospital proliferou estabelecimentos de comércio e serviços. Foi o único ponto de apoio para 80.000 pessoas num raio de 200km e em 1930 começou a falir, sendo que em 1945 foi abandonada definitivamente.
Mais à frente fica o cemitério desta cidade, com túmulos de madeira conservada pela secura do deserto, o que mais nos chamou a atenção foi o da Rebequita, que era pintado de cor de rosa e estava aberto com um pequeno caixão de bebê a mostra, lógico que não tinha nada ali, pois o túmulo tem uns 100 anos.
Segue viagem para a mina de Chuquicamata, a maior mina de cobre do mundo, chegamos lá seguindo as placas, a cidade de mesmo nome é pequenina mas totalmente abandonada, algumas casas servem de escritórios da mineradora, foi habitada de 1915 a 2007. Dizem que, como a mina foi crescendo e avançando sobre a cidade, mudaram a população para Calama, o ambiente é igual aquele que vemos na TV em cidades abandonadas por desastres nucleares.
As montanhas que aparecem de fundo nas fotos é a mina, avançando sobre a cidade, é tão grande quanto as montanhas da cordilheira, sem exageros!
A guarda que nos atendeu na entrada da cidade foi super educada, mas vimos que antes de nos atender ligou para alguém relatando a situação de nossa presença. O ruim foi que ela nos informou que a visita à mina só pode ser feita por agências de turismo, e de segunda a sexta (hoje é sábado), nos restou tirar fotos da mina a partir de um mirante da rodovia e de algumas portarias, se fizer bastante esforço vai dar para ver uns pontinhos nas montanhas de terra removida, que são os caminhões gigantes. É impressionante o tamanho das montanhas de terra removida, a mina gigante, por exemplo, tem 1,25km de profundidade e 4,3 km de comprimento (área de 800ha). Esta mina representa 1/3 do comércio nacional do Chile; boa parte dos fios de cobre da sua casa foram feitos com produtos daqui. O cobre é explorado pelos antigos indígenas desde a colonização Inca.
Outra coisa interesante que vimos, os chilenos só tem carro novo e bom, não há (muitos) carros velhos aqui, e há de todas as marcas e todos os modelos do mundo, agora a parte mais legal: os carros usados deles (mas ainda muito novos) vão tudo para nostros hermanos paraguayos, de Antofagasta até SPA ultrapassamos mais de 10 carretas cegonha, espertos esses chilenos.
E olha o esforço para caber mais um carro: levantaram o prata pelas rodas com uma catraca e espremeram o vermelho por baixo.
Fim da parte cultural, acelera, vamos dormir de novo em SPA. Num posto antes de Calama conhecemos um casal brasileiro viajando numa Hayabusa, eles passaram pela cordilheira à tarde também, só que pegaram una nevasca, disseram que se protegeram atrás da moto e deixaram o motor ligado para se esquentar segurando no escapamento.
Em Calama dois brasileiros de São Carlos, Cristiano e Hamilton numa Bandit 650, pararam para conversar, eles vinham do Perú e iam para SPA, seguimos viagem com eles então.
Antes de SPA paramos no mirante que vimos turistas tirando fotos no dia anterior, lugar bonito, tipo Vale da Lua e da Morte, mais fotos.
Nossos amigos de São Carlos nos acompanharam até nosso hostel, eles foram para outro, não os vimos mais. Boa viagem!
Fomos então almoçar, já eram 16:00 h, comemos lanche e depois, claro, um helado de Chañar.
À noite voltamos ao mesmo restaurante para comer pizza. Depois tomamos uma cerveja Escudo num bar de malucos que a gente observou a semana toda mas não tínhamos ido, muito bom, rock, camisas de futebol para todo lado e lógico, muita moçada. Depois: dormir para subir o morro amanhã.
Esposas me perdoem, mas tive que tirar a foto adiante, é impressionante o detalhe de um manequim feminino de uma loja de artesanias da cidade, ela é a mulher mais peituda de SPA, não tem turista que não observe. É Caio, acho que tá na hora da gente ir embora mesmo, a falta de oxigênio tá fazendo mal!
Aliás o ambiente de SPA vai cativando a gente, vamos nos adaptando e começando a se sentir bem lá, fizemos até piadinha de vender as motos, alugar uma porta de adobe e montar uma operadora de turismo, e depois convencer as esposas a mudar para lá, tudo piada, mas por via das dúvidas, melhor ir logo.
Mudando radicalmente de assunto: nas estradas argentinas (mais na cordilheira) e chilenas há muitas igrejinhas ou túmulos de homenagem às vítimas fatais de acidentes, há de todos os tipos, desde simples pedras empilhadas a construções grandes. É hábito do povo dar buzinadinhas de cumprimento para pedir proteção na estrada, sem saber disso buzinei para um monte, acho que deu certo, não vimos acidentes até hoje em nossa viagem.
- Chuquicamata:
https://maps.google.com.br/maps?q=Chuquicamata,+Calama,+Chile&hl=pt-BR&ll=-22.30752,-68.870716&spn=0.08973,0.154324&sll=-21.263658,-50.353066&sspn=0.723085,1.234589&oq=chuquicamata&t=h&hnear=Chuquicamata,+Calama,+El+Loa+Province,+Antofagasta+Region,+Chile&z=13
- Pueblo Pampa Union:
https://maps.google.com.br/maps?q=Pampa+Uni%C3%B3n,+Antofagasta,+Chile&hl=pt-BR&ie=UTF8&ll=-23.081114,-69.487023&spn=0.011153,0.01929&sll=-22.432826,-68.919952&sspn=0.011206,0.01929&oq=pampa+,+Chile&t=h&hnear=Pampa+Uni%C3%B3n,+Sierra+Gorda,+Antofagasta+Province,+Antofagasta+Region,+Chile&z=16
Dica: sobre o desgaste dos pneus, não verificamos na prática porque simplesmente calibrávamos no posto sem observar a pressão inicial, mas conforme as motocas enfrentam as altitudes a pressão dos pneus aumenta (porque a de fora diminui) e eles ficam mais duros, aumentando o desgaste central, somando-se isso ao tipo de rodovia, calor intenso de 40 graus, alta velocidade constante, peso e tipo de pilotagem, o resultado pode ser um desgaste maior. Vale a pena ir corrigindo a pressão. Na XT, que tem uma arrancada forte, o problema foi maior.
Dica: sobre o desgaste dos pneus, não verificamos na prática porque simplesmente calibrávamos no posto sem observar a pressão inicial, mas conforme as motocas enfrentam as altitudes a pressão dos pneus aumenta (porque a de fora diminui) e eles ficam mais duros, aumentando o desgaste central, somando-se isso ao tipo de rodovia, calor intenso de 40 graus, alta velocidade constante, peso e tipo de pilotagem, o resultado pode ser um desgaste maior. Vale a pena ir corrigindo a pressão. Na XT, que tem uma arrancada forte, o problema foi maior.



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