Hoje, é o fatídico 21/12/2012, será que acaba o mundo mesmo?
Bom, por aqui são 7:00h e está tudo bem. Mesmo se esta fantasia acontecesse escolhemos o melhor lugar para nos proteger, pois:
- se acabar em praga de gafanhotos, daqui uns meses o gelo mata tudo;
- se acabar em tsunami a gente sobe a cordilheira e
- se acabar em vulcão a gente desce, com a vantagem da fumaça ir tudo para os argentinos.
Como esta ficção não vai acontecer, pois estragaria nossa expedição, estamos saindo para o Pacífico, e esperamos que o que acabe no mundo são as coisas ruins somente.
Até mais tarde!
Após 4 dias paradas, a meninas voltaram a roncar seus motores. Esquecidas no estacionamento do hotel enquanto passeávamos, deviam estar anciosas para rodar. Incrível como as malas cresceram, um pouco por causa dos regalos e também pela desorganização de alguns itens, eu acho que trouxe coisa demais, podia ter trazido menos roupa e organizado melhor as tralhas de moto (ferramentas, peças, etc), é impressionante o volume que ocupa qualquer camiseta ou calça a mais. Em Antofagasta vou reorganizar tudo de novo, colocando em um único alforge tudo aquilo que tem probabilidade quase nula de se usar daqui para frente. Carregamos as motocas, confere óleo, lubrifica corrente, etc. Tomamos café, pagamos o hotel, fomos abastecer e saímos para Antofagasta.
Ao sair de SPA vimos que haviam muitas mais paisagens parecidas com os vales da Lua e da Morte (na verdade acho que era o Vale da Morte mesmo), não paramos para contemplar ou fotografar, o objetivo era chegar à Mano del Desierto (Antofagasta). A estrada é puro deserto, antes de Calama passamos pela entrada da estrada que vai para a maior mina de cobre do mundo, em Chuquicamata, mas tocamos direto e tivemos que entrar em Calama para abastecer; esta é uma cidade grande (para os padrões do Atacama), com 140.000 habitantes e ainda está na região mais árida, só de curiosidade: a precipitação média anual é de 5 mm. Seguimos pela Ruta 25.
Passamos por Sierra Gorda, comuna que contém muitas ex-minas salitreiras.
Após Sierra Gorda, cerca de 30 km, passamos pelas ruínas da cidade da ex-salitreira Pueblo Pampa Union (lado esquerdo: -23º 04' 45"/-69º 29' 26"), mas passamos reto também.
Depois de uns 20 km de Pampa Union a Ruta 25 se une com a Ruta 5, nesse entroncamento, se seguir ao norte há outras salitreiras, cidades fantasmas e cemitérios (dica no fim desse post).
De SPA até Antofagasta é tudo pedras e areia, a chegada na cidade é descendo a cordilheira em poucos quilômetros, e esta é uma tira comprida entre a montanha e o mar.
As avenidas são movimentadas e andamos bastante procurando hotel e posto, abastecemos e comemos um lanche muito ruim em um posto Petrobras, quase em frente ao Mc Donald´s (olha que ironia, só vimos o Mc Donald´s quando saímos do posto).
Reservamos um apartamento no Holiday in Express (que não estava muito diferente do restante; pelo menos vamos dormir em boas camas hoje; e corremos para a Mano del Desierto, há 72 km pela Rutaa Panamericana, para marcar nossa expedição.
A Ruta Panamericana é uma rede de rodovias que se estende desde o extremo norte do Canadá, passa por Buenos Aires e vai até Ushuaia.
Segue pela estrada....... eu não parava de olhar para o odômetro, e quando deu uns 70 km ficava procurando a bendita escultura no deserto, mas ela apareceu, comecei a rir sozinho dentro do capacete, depois de anos falando em viagem ao Chile de moto, a gente estava chegando no extremo da aventura, a sensação do "conseguir fazer a coisa" foi muito gratificante.
Chegando lá estava ventando tanto que a câmera não parava em pé sozinha para tirar a foto obrigatória, já estavamos dando num jeito de amarrar a bendita num pedaço de pau, quando chegou um caminhoneiro super animado que pegou a perguntar tudo da nossa viagem e depois tirou nossa foto, missão cumprida!
Chegar na Mano del Desierto, em Antofagasta/Chile, Oceâno Pacífico, após cruzar dois países de leste a oeste e a Cordilheira dos Andes, de moto, pode ser simbólico, mas significa a nossa conquista, de algo que sonhávamos há anos. E de maneira não programada, chegamos ao fim, no suposto dia do fim do mundo, que não acabou. Assim, chegamos no ponto extremo da nossa aventura.
Começamos a voltar para Antofagasta umas 18:00h, e passamos pelo velho problema de andar no deserto à tarde, ventos fortes e gelados; pegamos ventos que nos faziam pilotar inclinados e jogavam a poeira do deserto sobre a estrada tampando tudo, muito perigoso porque aquele trecho é bem movimentado, até um colchão passou voando na nossa frente.
Começamos a voltar para Antofagasta umas 18:00h, e passamos pelo velho problema de andar no deserto à tarde, ventos fortes e gelados; pegamos ventos que nos faziam pilotar inclinados e jogavam a poeira do deserto sobre a estrada tampando tudo, muito perigoso porque aquele trecho é bem movimentado, até um colchão passou voando na nossa frente.
Chegando em Antofagasta fomos conhecer a cidade melhor, caminhando. É como São Vicente (litoral de SP), só que por trás de São Vicente há a Serra do Mar, e aqui há as montanhas desérticas. Visitamos uma grande parte da orla aguardando o por do sol, ali há poucos pedaços de praia, é tudo rocha vulcânica, em alguns poucos espaços de praia a "areia" é formada por conchas trituradas.
Antes de Antofagasta ter esse nome ela pertencia à Bolívia, com a descoberta das suas riquezas minerais, primeiro veio o salitre, o interesse pela região cresceu, depois de vários tratados e muitas confusões históricas, ocorreu a Guerra do Pacífico, entre Bolívia (com o Perú aliado) e Chile, disputando a região, a guerra acabou em 1884 e Antofagasta ficou para o Chile.
Pelo que percebemos a maior atividade econômica da cidade é a exploração mineral (cobre, lítio e salitre) e o comércio internacional realizado pelos seus portos.
A cidade fica numa faixa estreita entre o mar e a cordilheira, assim, se vê muitas construções nos morros, primeiro pensamos que fossem só casas mais simples, mas depois vimos áreas com grandes condomínios de prédios mais refinados, lá muita gente mora no morro, a vantagem é que não chove, assim não se tem os perigos que a gente vê nas encostas do Brasil. O morro lá é bom lugar para se morar.
A cidade é sujeita a terremotos e tsunamis, o último abalo foi em 1995, com 8,0 graus na escala Richter. Aliás aqui em volta todas as cidades já tiveram ocorrências (Tocopilla, Arica, Iquique). Dia 7 teve um simulado aqui na cidade, diz-se que foi meio desorganizado. Esperamos que tudo fique sem tremer enquanto a gente estiver aqui, por via das dúvidas estamos em um apartamento bem alto, quem sabe para fugir de uma tsunami. (Informação inserida em 10/02/2013: terremoto, clique aqui).
Ao norte de Antofagasta, pela Ruta 1, há o monumento La Portada, é uma escultura natural no mar, bem próximo à costa; não fomos nesse também, vontade não faltou, mas se fossemos ver tudo o que há nesse mundão aqui precisaríamos de aumentar a viagem em uns 15 dias, aí dá B.O. lá em casa!
A cidade é sujeita a terremotos e tsunamis, o último abalo foi em 1995, com 8,0 graus na escala Richter. Aliás aqui em volta todas as cidades já tiveram ocorrências (Tocopilla, Arica, Iquique). Dia 7 teve um simulado aqui na cidade, diz-se que foi meio desorganizado. Esperamos que tudo fique sem tremer enquanto a gente estiver aqui, por via das dúvidas estamos em um apartamento bem alto, quem sabe para fugir de uma tsunami. (Informação inserida em 10/02/2013: terremoto, clique aqui).
Ao norte de Antofagasta, pela Ruta 1, há o monumento La Portada, é uma escultura natural no mar, bem próximo à costa; não fomos nesse também, vontade não faltou, mas se fossemos ver tudo o que há nesse mundão aqui precisaríamos de aumentar a viagem em uns 15 dias, aí dá B.O. lá em casa!
Reconhecendo as rotas de fuga:
Comemos empanadas com uma cervejinha (para comemorar) no restaurante
Beira Mar (a beira mar mesmo), o duro é que o sol demora para se por,
isso aconteceu somente às 21:30h, e acabamos saindo do barzinho umas
22:00h.
Estamos pesquisando na net para avaliar se faremos uma visita aquela mina de cobre de Chuquicamata, parece que há alguns tours de ônibus saindo de Calama. De qualquer forma, nossa viagem agora entra na fase do voltar para casa. Mas decidimos que não vamos fazer exatamente o mesmo caminho de volta, pois, apesar de não passarmos por problemas graves no retão do Chaco, estre trecho é muito chato, não estamos muito a fim de aguentar a soma de retão + calor de 40 graus + zilhões de borboletas; assim vamos fazer só o terço final dele, vamos cruzar a cordilheira e depois seguir sentido a San Miguel de Tucumán, passar por Santiago del Estero, e voltar no Chaco somente em Presidência Roque Saenz Peña, depois disso o caminho é o mesmo até o querido Brasil!
Referência: http://www.albumdesierto.cl
Dica 1: ao chegar em lugares importantes da viagem, não deixe de visitar e tirar fotos. Se tiver algo a fazer, faça sem restrições, pense sempre que talvez você não volte mais àquele lugar, por exemplo: ir no Oceano Pacífico e não dar uma nadadinha foi um erro nosso.
Dica 2: Para quem vai para o sul, pela Ruta Panamericana 5, antes de chegar em Caldera (500km de Antofagasta), tem o Cerro Ballena, a beira da estrada; é um sítio arqueológico com fósseis de baleias no meio do deserto. Referência: http://cerroballena.si.edu/
Dica 3: No entroncamento entre a Ruta 5 e a 25 (onde na verdade nasce a 25), é possível ir ao norte visitar salitreiras antigas, suas cidades e cemitérios: nesse entroncamento (-23º 10' 58"/-69º 38' 00"), seguindo para a direita (norte) fica a ex-salitreira Chacabuco (-23º 08' 42"/-69º 37' 19"), que é monumento nacional e pode ser visitada, sua localização abrange entre 4 a 9 km de distância depois do entroncamento (5 com 25).
Nesta Ruta 5 também fica a Oficina Salitreira Pedro de Valdivia (desativada em 1930), é depois de Chacabuco, à uns 66 km depois do entroncamento (5 com 25), sai da 5 na B-180 à esquerda (-22° 36' 45"/-69º 37' 18"). A Ruta 5 segue até cruzar com a Ruta 24, que à oeste vai para Tocopilla (litoral) e à leste vai para Chuqicamata (-22° 19' 44"/-68' 55' 39") , entrando em (Calama pelo lado norte da cidade), seguindo reto ela leva até Iquique, Arica e Tacna (Perú). Rota à baixo:

Um comentário:
Ae dois, to acompanhando de perto a viagem, o blog ta show, as imagens sao ótimas e o Ruy relata super bem, pena nao,estar aimcom vcs, nao podia ter perdido essa...
Abs e otimo termino ... Ah feliz Navidad tbm...
Lorenzo
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