segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

24/12/12 - Noite de Natal em Santiago del Estero (Salta - Santiago del Estero)

Salta - Santiago del Estero: 436 km (Total: 5.843 km)

O objetivo hoje foi  dormir em Santiago del Estero. Antes de pegar estrada fomos dar uma volta na cidade de Salta, tentar visitar alguma coisa: museu arqueológico, igreja e teleférico, mas, tudo fechado, os caras levam a sério a véspera do feriado, fomos no Banco Patagônia para eu tentar sacar dinheiro, já não tinha mais nada, cacheros todos vazios; eu tinha visto fila mesmo na porta dos bancos quando chegamos ontem, mas não tinha entendido até o momento, como os argentinos não usam cartão, na véspera de um feriadão eles tem que ir ao banco sacar todo o dinheiro que vão usar no período, e limpam o dinheiro dos cacheros (lógico que os bancos não repoem); comprei mais uns presentinhos para as filhotas com os últimos pesos que tinha, se em Santigao del Estero eu não conseguir sacar, to ferrado, porque por estes lados nem posto de gasolina aceita cartão. A única coisa aberta era a catedral e uma feirinha de camelôs. Salta la Linda, é o apelido dessa cidade, muito bonita, com muitos jardins, limpeza impecável na rua. Daqui também saí o Tren a las Nubes (o Trem das Nuvens), em uma viagem ida e volta que leva o dia inteiro para chegar a 4.200 metros de altitude, esse passeio vale a pena por no roteiro em uma próxima vez (mas custa caro, 830 pesos por pessoa).










No check-out do hotel uma supresa tipicamente argentina, o preço do hotel para pagar com "tarjeta" era maior do que aquele que nos informaram na tarde anterior quando chegamos, o Caio perguntou direitinho qual seria o preço com tarjeta no dia anterior e o tiozinho disse 290 pesos; mas o barbichinha mala de hoje já foi avisando que pagamento com cartão fica em 390 pesos. Foi um momento cheio de caras feias, minha e do Caio, disse ao mala que eles estavam nos enganando e que chamasse o gerente e o f&$*@ da p&$@ fingiu que não entendeu, pagamaos e fomos embora chingando (lembrando: Hotel Continental). Não vou queimar o filme do hotel tanto assim, pois o tiozinho do dia seguinte pode ter sacaneado, mas fica a dica: conversar bem sobre preços antes, se possível, anotar!


Depois disso, eu não podia ver argentino na frente, deu vontade de pilotar a noite toda e chegar no Brasil logo, o duro é que não adiantava não querer ver os hermanos, tem um monte deles aqui, paciência, toca a vida, aprende outra lição com esses malas. Já tinhamos aprendido outra com a velhinha ladra do restaurante no mesmo quarteirão do hotel Roman em General Guemes (fica aí a dica moçada), com esse povo tem que conversar bem antes de consumir qualquer produto ou serviço, eles enganam mesmo os turistas.
Paradinha para fotos culturais: aqui nasceu a bandeira argentina, em 13 de fevereiro de 1813, com ação do herói argentino Manuel Belgrano, um militar intelectual que lutou contra ingleses (esta brigal é velha!), na Guerra da Independência e em guerras civis, foi o criador da bandeira nacional.



Vamos à viagem, resolvemos pegar este caminho para desviar um pouco (metade) do caminho pelo Chaco mas, sinceramente, era melhor ir por lá. A estrada de Salta a Santiago del Estero é pior, é reta mesmo, com umas 5 curvas só, sem árvores na beira da rodovia e vento forte com ar muito quente e seco (uns 43 graus à sombra), e o pior de tudo, sem postos de gasolina (sorte eu ter usado meu bidon dessa vez, a gasolina acabou no meio do nada, paramos em baixo da única árvore que avistamos, abastecemos e enrolamos o cabo, da estrada nada para contar, só calor.




 A gente abria as viseiras do capacete para ver se refrescava um pouco, mas dentro do "casco" menos quente que fora, parecisa que a gente tava com o rosto efiado num forno. Tinha uns caras numas BMW 1200 em sentido contrário ao nosso, pensei em pará-los para falar que a estrada era uma b&%$#, mas vai que eram argentinos, deixa ir.
Galera da moto, desviar pelo simples motivo de ver uma paisagem diferente do Chaco não vale a pena, este caminho é a mesma coisa, aliás, se contar pelo tamanho das cidades até aqui e pela falta de gasolina, é pior. Avaliem bem em suas viagens, só vale a pena se tiver algum ponto turístico muito interessante, e que a gente não sabia.
Em Santiago del Estero entramos na cidade procurando um hotel, um tiozinho viu que estavamos meio perdidos e puxou conversa com o Caio, no fim ele era alguma coisa, dono, funcionário, hóspede (o Caio acha que era um conhecido do hotel querendo ganhar uma comissão), não entendemos bem, aliás, aqui é interiorrrrr, e o povo fala com sotaque e rápido demais, ninguém (nós dois) entende nada! Bom esse tiozinho nos levou ao hotel Savoy no calçadão, muito bom por sinal (360 pesos), com ar, frigobar, Wi-Fi e estacionamento; chegamos encharcados de suor, as roupas de bailarina pingando e as de cordura fedendo, aí o de sempre, banho, organização geral da tralha, liga para as choronas patroas.



Saimos para a rua, procurar o Banco Patagônia, em Salta não tinha dinheiro, mas aqui deu certo, santo BB.
Conhecemos o o calçadão, a praça e fomos comer alguma coisa.

No final acabamos entrando num barzinho agitado, cheio de gente; pedimos "la carta" e uma Quilmes, a garçonete já avisou prontamente que o único prato que dava para fazer seria o Tostado, porque o bar fecharia as 22:00h (já eram 21:00h), pedimos o tal prato, veio a Quilmes e, de repente, a moça chega com um pires cheio de amendoim, o Caio assutou, olhou para o amendoim e depois disse: vixe f@#$%, o tostado é amendoim torrado; e eu ainda tinha perguntado para a moça se o prato dava para dois comerem.... é mole?
Só ficamos aliviados quando vimos uma foto na parede com o prato do tal Tostado, na verdade era um misto quente (morno) com pão de forma, bom para quem só tinha tomado café da manhã e água o dia todo, realmente este jantar tava bem levinho, assim, para nos alimentarmos melhor, pedimos outra Quilmes e foi acabar de comer e tomar a cerveja que a mocinha veio a nossa mesa, já sem uniforme e nos pediu para pagarmos a conta porque eles já estavam fechando.
Bom, nos resta ir para o hotel, fomos, desejamos feliz Navidad para todo mundo no caminho e cama, pois já tínhamos programado sair 6:00h para pegar menos calor na parte da manhã da viagem, que a gente já sabia que ia ser um pé no s@c*.
Umas universitárias tentaram nos vender convites para uma festa da La Dolfina que começaria às 23:00h, só para maiores de 25 anos, e ainda disse assim: umas chicas amigas minhas gostam de conhecer brasileiros; bom, como não somos universitários, nem meninos de 25 anos, percebemos que o papo era só para vender convites, que não compraríamos de qualquer maneira (viu patroas?!), e o mais importante era dormir para acordar cedo e estávamos meio deprê por causa da data de hoje, e por causa da (falta da) ceia de Natal. Aliás, uma observação importante desta viagem, percebemos que na volta, após 14 dias, as mulheres argentinas são mais bonitas do que aquelas que vimos quando fomos, mas não são as mesmas? Não entendo! Rsssss (brincadeira em patroas! é só saudade de vocês).
Boa noite e feliz Navidad para todos.
(desculpem-me pelos palavrões, agora já estou calmo!)



Dicas:
Links de internet:



Globo Reporter de 25/01/2013: Tren a las Nubes e cidade de Salta


- Cuesta del Obispo - estrada em zigue-zague, a oeste de Salta, pela Ruta 33 por cerca de 90km. Lugar muito bonito. https://es.wikipedia.org/wiki/Cuesta_del_Obispo. Lá fica o Valle Encantado, a Piedra del Molino e a Recta del Tin Tin.


- Vale do Rio Juramento - O rio Juramento forma o Lago Embalse Cabra Corral (represado), e a estrada do vale e da represa é o ponto turístico dessa rota. Na Ruta 9, ao sul de Salta, pega-se a Ruta 47, sentido à Coronel Moldes (que fica na Ruta 68). São 90km de estrada no vale, com 65 de rípio, se chove faz muito barro.

- Quebrada de Las Conchas - (ou Quebrada de Cafayate) ao sul de Salta, pela Ruta 68, antes de chegar em Cafayate. https://pt.wikipedia.org/wiki/Quebrada_das_Conchas

- Cuesta de La Chilca -  entre Concepción e Andalgalá, pelas Rutas 65 e depois 48, ao sul de San Miguel de Tucumán. Estrada com caracoles em estrada de rípio. Depois de Andalgalá, pela Ruta 46, se chega à Ruta 40.



- Cuesta de Randolfo - entre Belén e Antofagasta de la Sierra. Pela Ruta 43. Antofagasta de La Sierra é uma região de muitos vulcões.


- Salar de Hombre Muerto - próximo ao Antofagasta de La Sierra. Onde existem as Ruínas de Incahuasi, onde havia uma mineração de ouro. Fica na Ruta 43, há 94 km ao norte de Antofagasta de la Sierra.

- Ao oeste do Salar del Hombre Muerto, fica o Salar de Antofalla, o mais extenso em comprimento.
Um bom relato: http://www.expedicaoandandoporai.com/2013/06/salar-de-antofalla-catamarca-argentina.html


- Salar de Arizarro - onde se encontra o Cono de Arita (montanha em forma de cone). Fica a oeste de Salta, e há excursões para visitas.  É o segundo maior da Argentina depois das Salinas Grandes.
A cidade mais próxima é Tolar Grande.

A oeste do lago fica a Estación Caipe, com sua vila. Hoje em dia toda abandonada, após o fim de exploração da Mina La Casualidad.

- Mina La Casualidad - a oeste de Salta, pela Puna Argentina, sentido Paso Socompa (AR/CH). Mina de enxofre abandoanada em 1979.

- Viaduto Polvorilla - é um dos viadutos por onde passa o Tren a las Nubes. Na Ruta 40, ao noroeste de San Antonio de los Cobres.

- Ruta 43 - por si própria já é uma atração. San Antonio de Los Cobres - Antofagasta de Sierra - Belén. Trechos de 400 km de rípio e 200 de asfalto.


 - Cuesta de Zarate - rípio entre entre Antofagasta de La Sierra e Fiambalá.

- Campo de Piedra Pomez - Um labirinto, com mais de 30 km de extensão, formado por pedras Pomes. Sair da Ruta-43 próximo a El Peron, e seguir pelo deserto sentido sudoeste.

- Laguna de Los Aparejos e Laguna Verde - Saindo de Fiambalá, sentido Paso San Francisco, pela Ruta 60, desviar a esquerda em Cortaderas.
http://www.turismoruta40.com.ar/seismiles.html

- Quebrada de Las Flechas - Fica no km 4380 de la Ruta Nacional 40, entre Cafayate e Cachi. Ao sul de Salta.

- Paso Abra del Acay - Na Ruta 40, entre San Antonio de Los Cobres e Payogasta. É o ponto mais alto da Ruta 40, há 4995 metros de altitude.

Concessionária Yamaha em Salta: Av. San Martín Nº 988 - Tel. (0387) 4314820 - http://www.kamarsportplaza.com.ar





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